sexta-feira, maio 25, 2007

Dos mares impuros ao esgoto da clareza

Sobre a mesa vazia
Fica perdido o que penso ou que quero pensar
Olho o movimento das mãos
Junto migalhas de pão criando pequenos morros
Evitando ou tentando ser a criação
Descobrindo que é inútil flertar com o que não sei
Misturo tudo com um suspiro cansado
Levanto levando o ar a novas atitudes
Morros de migalhas ficam para trás
Ando em círculos
Olho para os lados
Desfaço as horas em pequenos lapsos
Saio de cena tentando lembrar o que passou
Essa imensidão tão impura que vejo
Domina todos os lugares que pretendo ir
Enchendo o ar com seu odor
Não posso parar de respirar
Não agora
Não sou a exceção em meio a tudo isso
Contamina minha vida o que vejo e sinto
Sentado mexendo nas migalhas sobre a mesa
Ou mesmo andando em círculos
Tentando dar mais vida ao que me faz bem
Mais uma vez foge a sensação de exceção
Volto ao estado recluso
E tento ser
Afogo naquele mar o que gostaria de ser
Tão impuro fica ainda mais sujo com tanta confusão
De onde vem esse mar?
Que aos poucos vai subindo e dominando tudo ao redor
Estende-se até onde não posso ver
Crio minha ilha enquanto vejo o desespero dos afogados
Lembro que o que eu queria ser está lá também
Abandono à coragem de pular no infinito
Continuando aqui sentando
Existem muitas migalhas pra transformar em morros aqui

2 comentários:

Dudu disse...

guantanamera!

Hélio disse...

Este é nossa grande problema, vivemos sempre por migalhas ou em busca delas...mas será que é isso mesmo qu queremos pra nós?...apenas migalhas???..